![]() |
| Volpone de Souza |
A arte
marcial surge num período em que os homens, os povos precisavam sobreviver e
tinham de utilizar o corpo como escudo e arma para se defender. Muitas
sociedades criaram sua arte marcial, a arte da guerra, uma luta que visava
imobilizar e matar seu oponente. Era uma necessidade da época, mais
precisamente na Antiguidade. Com o passar do tempo, armas poderosas foram
criadas tornando a arte marcial inútil contra um canhão. Porém muitos mestres
aperfeiçoaram a arte marcial tornando-a esporte, esporte de competição, defesa
pessoal, estilo e filosofia de vida, enfim,
a arte marcial deixou de ser uma arte de guerra, e passou a ser um esporte,
homenageando deuses, como Marte – dependendo da cultura.
Jigoro Kano,
nascido no Japão do século XIX, preocupado com a violência entre jovens
praticantes de artes marciais, estudou várias técnicas de ju-jitsu, retirando
golpes muito agressivos, aplicando conhecimento científico de física, anatomia,
biologia, entre outras ciências, criou o judô e conseguiu inseri-la no
currículo das escolas do Japão. Com isso Kano criou uma arte marcial capaz de
integrar seus praticantes, educar e disciplinar, fortalecer músculos,
desenvolver a coordenação motora, desenvolver a inteligência, lapidar o
caráter, elevar a auto-estima, proporcionar a superação de desafios, purificar
a alma e estabelecer a harmonia entre corpo-mente-espírito, um esporte, um
estilo de vida, uma filosofia.
O judô foi
estudado por muitos especialistas, entre eles, da Unicamp que concluíram que a
prática do judô melhora o desempenho das crianças na escola, pois desenvolve a
inteligência estimulando vários hemisférios do cérebro. O judoca tem que
estudar, pensar, refletir, meditar, isso tudo beneficia o corpo, a mente e o
espírito do praticante do judô.
O praticante
de judô aprende a respeitar uma hierarquia, os mais velhos, os mais graduados, seus
semelhantes e os menos graduados. Aprende a refletir antes de agir, controla
seus impulsos, sua ansiedade, o medo, a fraqueza. Aprende a superar suas
dificuldades tornando-se mais forte, determinado, seguro, confiante, correto,
justo.
Por mais
frágil que pareça, um judoca pode surpreender com sua técnica, pois aprende a
utilizar a força e o tamanho do adversário a seu favor.
A pratica do
judô não exige força, idade, corpo atlético, basta querer praticar e sua
dedicação o levará a resultados positivos respeitando as limitações de cada
atleta.
Cada queda,
cada lesão, cada dificuldade, cada decepção, leva o judoca a refletir. A
reflexão leva a superação. A superação transforma o judoca num super ser
humano, capaz de refletir, agir com sabedoria, honra e dignidade, não se
acovardar diante as dificuldades e sempre buscar a superação aos desafios que a
vida impõe.

